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Homenagem - Antônio Francisco Azeredo da Silveira

Antônio Francisco Azeredo da Silveira, nascido em 22 de setembro de 1917, no Rio de Janeiro, foi um dos diplomatas que marcaram história na carreira, e seu nome batiza uma das salas de aula do Instituto Rio Branco.

Em 1934, Azeredo da Silveira formou-se bacharel em Ciências e Letras no Rio de Janeiro e, entre 1936 e 1937, cursou a Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro.

Oriundo de uma família muito ligada à política, seu trabalho com a diplomacia iniciou em 1937, aos 20 anos de idade, quando exerceu a função de auxiliar do consulado do Brasil em São Francisco (Estados Unidos). Permaneceu naquele posto por quatro anos, retornando ao Brasil em 1941. Dois anos depois foi nomeado, mediante concurso, cônsul de terceira classe. Em 1944, Azeredo da Silveira diplomou-se nos cursos de prática consular e aperfeiçoamento de diplomatas. Durante esse período, foi auxiliar do chefe do Departamento de Administração do Itamaraty.

Transferido em seguida para Havana (Cuba) como terceiro-secretário, Azeredo da Silveira promovido a segundo-secretário em 1947. Foi removido, em 1949, para a embaixada do Brasil em Buenos Aires (Argentina). No ano seguinte, retornou ao Brasil e novamente voltou a trabalhar como auxiliar do chefe de Departamento de Administração do Itamaraty. Durante esse período, Azeredo da Silveira integrou a comissão de estudo e planejamento do edifício do Ministério das Relações Exteriores no Rio de Janeiro e a comissão para a reforma dos serviços da Secretaria de Estado e dos quadros do ministério. Em 1953, tornou-se auxiliar de gabinete do então ministro das Relações Exteriores, Vicente Rao. Também no mesmo ano ficou à disposição do presidente do Peru em visita ao Brasil, integrou a comissão assessora da seção técnico-pedagógica do Instituto Rio Branco

Em 1954, já primeiro-secretário, foi removido para a embaixada em Madri (Espanha), onde permaneceu por dois anos, até ser transferido para Florença (Itália), como cônsul. Em 1957 foi transferido para Roma (Itália), em missão que durou pouco mais de um ano.

Ao retornar ao Brasil em 1958, Azeredo da Silveira tornou-se chefe da Divisão do Pessoal do Itamaraty. Em 1959, já promovido a conselheiro, assumiu de forma interina a chefia do Departamento de Administração e integrou o grupo de trabalho para a transferência dos órgãos federais para Brasília, incumbindo-se do Ministério das Relações Exteriores. Promovido a ministro de segunda classe ainda no mesmo ano, foi efetivado na chefia do departamento de administração. Em 1960 integrou o grupo de trabalho para o estudo do sistema de formação do diplomata e participou de missões oficiais a Berna (Suíça), Lisboa (Portugal), Londres (Reino Unido), Paris (França) e Roma.

Em 1961, Azeredo da Silveira foi removido para Paris como cônsul-geral. Permaneceu na capital francesa até 1963, quando voltou ao Brasil para, novamente, assumir a chefia do departamento de administração, exercida até 1966.

Tornou-se ministro de primeira classe em janeiro de 1964 e, em dezembro, foi nomeado presidente da Comissão de Representação no Exterior. Entre 1966 e 1968, representou o Brasil em diversas missões internacionais (ACNUR, OEA, GATT, UNCTAD e Ecosoc, entre outras).

Azeredo da Silveira foi nomeado, em 1969, embaixador em Buenos Aires. Durante essa importante missão destacou-se pela condução das negociações sobre a hidrelétrica de Itaipu.

Assumiu, em 1974, a convite do então novo presidente da república, general Ernesto Geisel, o Ministério das Relações Exteriores, ocupando o cargo de chanceler até 1979. Seu período à frente do Itamaraty ficou conhecido como o do "pragmatismo responsável", no qual buscou-se ampliar o comércio com outros países e obter acesso do Brasil a novas tecnologias. Nesses anos houve grande aproximação com o continente africano e o mundo árabe. Em fevereiro de 1975 o Brasil foi o primeiro país a estabelecer relações diplomáticas com Angola após sua emancipação de Portugal. Também reconheceu as independência de Moçambique e Guiné-Bissau e apoio o ingresso das ex-colônias portuguesas na ONU. Entre as demais realizações de sua gestão destacam-se o estabelecimento de relações com a República Popular da China e a assinatura do acordo nuclear Brasil-Alemanha.

Azeredo da Silveira deixou a pasta do Ministério das Relações Exteriores em 1979, com o fim do mandato do presidente Geisel. No mesmo ano, foi nomeado embaixador do Brasil em Washington (Estados Unidos), onde permaneceu até 1983, quando foi transferido para a embaixada em Lisboa (1983-1985), sua última missão no exterior.

Antônio Francisco Azeredo da Silveira faleceu no Rio de Janeiro em 27 de abril de 1990, deixando ampla e significativa contribuição para a diplomacia brasileira.

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