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HOMENAGEM - João Augusto de Araújo Castro

Dando continuidade à série especial sobre diplomatas que, como forma de homenagem, emprestam seus nomes a salas de aula do Instituto Rio Branco, falaremos hoje sobre João Augusto de Araújo Castro.

Diferentemente de outros perfis apresentados anteriormente, tais como os de José Guilherme Merquior e João Guimarães Rosa, os quais se destacaram em outras áreas além da diplomacia, Araújo Castro dedicou praticamente toda a vida à política externa brasileira.

Nascido em 27 de agosto de 1919, no Rio de Janeiro, João Augusto de Araújo Castro graduou-se como bacharel em direito pela Faculdade de Direito de Niterói em 1941. Sua jornada na diplomacia, porém, teve inicio um ano antes, em 1940, ao ser nomeado cônsul de terceira classe.

Em 1942 trabalhou na comissão brasileira junto à Missão Cooke, oportunidade em que recebeu um grupo de técnicos norte-americanos enviados ao Brasil, e, em uma ofensiva diplomático-cultural, recebeu o cineasta Orson Welles, em uma visita organizada por Washington durante a Segunda Guerra Mundial com o objetivo de fortalecer os laços de amizade dos EUA com países da América Latina.

No ano seguinte, foi removido para o Consulado do Brasil em San Juan (Porto Rico) e, em 1944, para Miami, seguindo, meses depois, para Nova Iorque. Em 1945 foi promovido a cônsul de segunda classe, assumindo a função de cônsul-adjunto naquela cidade em 1946. Durante uma conferência realizada em Nova Iorque no mesmo ano, na qual seria criada a Organização Mundial de Saúde (OMS), integrou a delegação brasileira como encarregado de questões jurídicas.

Retornou ao Brasil em 1948, quando foi lotado como auxiliar do chefe do Departamento de Administração do Itamaraty. No ano seguinte foi nomeado secretário da delegação brasileira à IV Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque.

Em 1951, já promovido a segundo-secretário, foi designado para a Missão Permanente do Brasil junto à ONU.

Dois anos depois, após a promoção a primeiro-secretário, foi removido para a Embaixada do Brasil em Roma, retornando ao Brasil em 1957.

Em 1958, João Augusto de Araújo Castro foi promovido a ministro de segunda classe e assumiu a chefia do Departamento Político e Cultural do Itamaraty. Nessa época, participou da formulação da Operação Pan-Americana, um programa idealizado por Augusto Frederico Schmidt e proposto pelo então presidente Juscelino Kubitschek ao governo dos Estados Unidos com vistas ao maior desenvolvimento econômico da América Latina.

Partiu, em 1959, para Tóquio, onde atuou como ministro-conselheiro da Embaixada do Brasil no Japão. Em 1961, integrou a comitiva do vice-presidente João Goulart em missão especial a Moscou e ao Extremo Oriente, viagem que foi interrompida devido à renúncia do então presidente Jânio Quadros.

Foi promovido a ministro de primeira-classe em 1962, um ano antes de ser nomeado secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores.

Em julho de 1963, Araújo Castro foi nomeado ministro interino do Ministério das Relações Exteriores do governo Goulart. No mês seguinte assumiu o cargo em definitivo, em substituição a Evandro Lins e Silva.

Na XVIII Sessão da Assembleia Geral da ONU, realizada em em novembro de daquele ano, chefiou a delegação brasileira e teve a oportunidade de defender a chamada política dos "Três Ds" (desenvolvimento, desarmamento e descolonização), em discurso que se tornou um clássico.

O diplomata sempre afirmou que evitava ter atuação política no âmbito do governo, ressaltando o caráter profissional de sua função. Em 1964, Araújo Castro foi o único dos ministros de João Goulart que, no ato de demissão, deixou claro que seu afastamento se dava por pedido próprio.

Entre 1964 e 1967 serviu como embaixador em Atenas e no Peru e, em 1968, foi nomeado Representante Permanente (embaixador) do Brasil na ONU. Nessa condição presidiu, no ano seguinte, o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Então já considerado um dos maiores diplomatas brasileiros, João Augusto de Araújo Castro deixou o cargo de Representante Permanente na ONU e assumiu a Embaixada do Brasil em Washington.

No início de 1974, pouco antes de o general Ernesto Geisel assumir a Presidência da República, o nome de Araújo Castro foi cogitado para assumir novamente o cargo de ministro das Relações Exteriores. O escolhido, contudo, foi o embaixador Azeredo da Silveira.

João Augusto de Araújo Castro faleceu em 9 de dezembro de 1975, quando ainda exercia suas funções como embaixador em Washington, deixando um vasto conhecimento diplomático para futuras gerações.

Além de sua grande contribuição para a diplomacia brasileira, Araújo Castro escreveu diversos artigos sobre temas filosóficos e literários e, é claro, diplomáticos. A Universidade de Brasília (UnB) reuniu os seus principais textos em um livro intitulado "Araújo Castro", lançado em 1982.

 

Link do livro: https://books.google.com.br/books?id=Ax8sAAAAYAAJ&hl=pt-BR&source=gbs_book_other_versions

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