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HOMENAGEM - José Guilherme Merquior

 

 O Instituto Rio Branco relembra grandes diplomatas que atualmente nomeiam algumas de suas salas de aula, sua biblioteca e seu auditório. Para começar essa série de homenagem relembramos hoje José Guilherme Merquior que no último mês de abril completaria 75 anos.

Carioca do bairro da Tijuca, nascido em 22 de Abril de 1941, José Guilherme Merquior, um dos mais importantes diplomatas brasileiros, completaria 75 anos no último mês de abril. Apesar de sua morte prematura, com apenas 49 anos, ainda é frequentemente lembrado até hoje, tanto por figuras intelectuais, como por entusiastas de seu trabalho e de sua personalidade marcante.

Durante sua carreira como diplomata, serviu em Paris, Londres, Bonn, Montevidéu, Brasília e México.
Iniciou-a em 7 de novembro de 1963 como Terceiro Secretário no Ministério das Relações Exteriores e atuou em diversas áreas, tais como: Oficial de Gabinete do Ministro de Estado, Secretário da Delegação Brasileira à II Conferência Interamericana Extraordinária, Divisão de Cooperação Intelectual e Terceiro Secretário na Embaixada do Brasil em Paris.

Em 1967 Merquior tornou-se Segundo Secretário, ainda em Paris, e chegou ao cargo de Primeiro Secretário na cidade alemã Bonn no ano de 1973, onde atuou até 1975, quando foi transferido para Londres.

Retornou ao Brasil em 1979 para iniciar o Curso de Altos Estudos no Instituto Rio Branco. Trabalhou como Conselheiro em Montevidéu entre 1980 e 1981, e, naquela cidade, foi promovido a Ministro de Segunda Classe, já no ano de 1982. Retornou a Londres em 1983, desta vez como Ministro-Conselheiro na Embaixada do Brasil em Londres.

Foi ainda Embaixador no México e Representante Permanente do Brasil junto à UNESCO, em Paris.

Além de sua carreira diplomática, Merquior ficou conhecido pela trajetória acadêmica, bastante ampla e que se iniciou pela formação em Filosofia. Logo após graduou-se bacharel em direito, seguido pelo doutorado em Letras pela Universidade de Paris e posteriormente PhD em sociologia pela London School of Economies and Political Science.

Aventurou-se ainda como professor, lecionando no Instituto de Belas Artes do Rio de Janeiro. No exterior deu aula no curso de Pós- Graduação sobre Modernismo Brasileiro na Universidade Nova de Lisboa, e curso de Estética Contemporânea em Montevidéu.

Em sua vida colecionou polêmicas. Foi quase cassado, por exemplo, de seu cargo diplomático, por ministrar conferências no ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros), órgão criado durante o governo de Juscelino Kubitschek, com o intuito de promover o estudo e a divulgação das ciências sociais em torno do tema do desenvolvimentismo. O ISEB acabou sendo extinto após 1964, e muitos de seus participantes, os "isebianos", foram exilados ou investigados.

Como grande pensador começou a ser investigado não só por suas aparições na lista de frequentadores do ISEB, como também por ajudar a organizar um festival de cinema russo no Museu de Arte Moderna e coordenar uma exposição de fotógrafos cubanos em Brasília. Neste último acabou tendo que responder a inquérito.

No ápice de sua carreira Merquior, foi colaborador de vários jornais, assinava colunas, escrevia artigos de opinião e criticas literárias. A última inclusive lhe rendeu um episódio que foi notícia no meio acadêmico, quando acusou a filósofa Marilena Chauí de plagiar o filósofo francês Claude Lefort.

Na área da literatura escreveu 22 livros em português, seis em inglês e um em espanhol, além de publicar diversos trabalhos em parceria com vários nomes do meio intelectual como Manuel Bandeira, Jacques Bergue, Eduardo Portella, Perry Anderson.

José Guilherme Merquior foi eleito em 11 de março de 1982 para ser o quarto ocupante da cadeira 36 da Academia Brasileira de Letras na sucessão de Paulo Carneiro. Tornou-se imortal na Academia.

O antropólogo belga Claude Lévi-Strauss talvez tenha a melhor definição sobre o diplomata: “Eu admirava em Merquior um dos espíritos mais vivos e mais bem informados de nosso tempo”.

 

Todo histórico de vida de José Guilherme Merquior fez com que ele seja considerado um dos mais influentes acadêmicos e intelectuais públicos do século XX.

As informações do texto foram extraídas do artigo "O Fenômeno Merquior" de José Mário Pereira, publicado no livro O Itamaraty e a Cultura Brasileira.

 

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