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HOMENAGEM - João Guimarães Rosa

 Neste ano completam-se 50 anos da morte de João Guimarães Rosa, e como forma de prestar-lhe uma homenagem, o Instituto Rio Branco decidiu contar um pouco da história dessa figura que aparece entre as mais influentes do meio intelectual brasileiro do século XX.

João Guimarães Rosa nasceu em 27 de junho de 1908 na pequena cidade mineira de Cordisburgo. Foi o primeiro dos seis filhos de Florduardo Pinto Rosa e de Francisca Guimarães Rosa. Fluente em mais de nove idiomas, Guimarães Rosa já lia em francês aos seis anos de idade; um pouco mais tarde, aos dez anos, mudou-se para Belo Horizonte onde aprendeu alemão no Colégio Arnaldo, escola de origem germânica onde estudaram figuras como Carlos Drummond de Andrade e 
Messias Pereira Donato.

Em 1930 graduou-se em Medicina pela Universidade de Minas Gerais. Exerceu a profissão, porém, apenas por quatro anos, quando decidiu prestar o concurso para o Itamaraty, o que fez em 1934, sendo aprovado em segundo lugar, e, em 11 de julho do mesmo ano, foi nomeado Consul de Terceira Classe. No final de 1937 Guimarães Rosa foi promovido a Consul de Segunda Classe e, no ano seguinte, foi removido para o Consulado do Brasil em Hamburgo.

Lá, de 1938 a 1942, ao lado de sua segunda mulher, Aracy de Carvalho, Guimarães Rosa deu auxílio para que judeus pudessem escapar do regime nazista para o Brasil, autorizando, para tanto, número maior de vistos do que aqueles legalmente permitidos durante o Governo de Getúlio Vargas. Aracy foi homenageada no Jardim dos Justos entre as Nações, no Yad Vashem, que é o memorial oficial de Israel para lembrar as vítimas do Holocausto.

Como diplomata, Guimarães Rosa ainda trabalhou como secretário de embaixada em Bogotá (1942-44) e primeiro secretário e conselheiro da Embaixada Brasileira em Paris (1948-50). Em 1951 retornou ao Brasil, onde foi promovido a ministro de primeira classe, tendo sido nomeado chefe de gabinete do Ministro João Neves da Fontoura, e, em 1953 , chefe da Divisão de Orçamento. Em 1962 tornou-se chefe do Serviço de Demarcação de Fronteiras.

A veia literária do diplomata João Guimarães Rosa manifestou-se cedo. Em 1929, publicou um conto na revista Cruzeiro chamado "O mistério de Highmore Hall". Em 1936, foi publicado o primeiro livro de Guimarães Rosa, Magma, demonstrando o talento para a escrita que o tornaria conhecido mundialmente. Seus dotes literários podiam observar-se, adicional e regularmente, em seus relatórios de trabalho no Itamaraty. A forma como escrevia e a linguagem utilizada já deixavam entrever a qualidade literária do autor.

Ao longo de sua vida publicou oito obras, dentre as quais: a já referida Magma (1936), ganhadora do concurso literário criado pela Academia Brasileira de Letras, sob o pseudônimo “Viator”; Corpo de Baile: Noites no Sertão (1956), livro composto de dois volumes com sete novelas; e a mais conhecida e comentada de suas obras, Grande Sertão: Veredas (1956), traduzida em várias línguas.

Quase todos os seus livros se ambientam no sertão, refletindo o universo sertanejo e toda sua cultura, esmiuçando todo o ambiente nas terras que vão desde o sertão baiano a Minas Gerais, passando pelo Centro-Oeste.

Em 1963 candidatou-se à Academia Brasileira de Letras, sendo eleito em seis de agosto do mesmo ano como terceiro ocupante da Cadeira 2 , na sucessão de João Neves da Fontoura. A posse é adiada por vontade do próprio Guimarães Rosa, por quatro anos. Em 1967, no discurso de posse, disse uma frase que é lembrada até hoje: "... a gente morre é para provar que viveu", que talvez completasse o sentido de outra famosa frase dele: "..As pessoas não morrem, ficam encantadas." Três dias após entrar para a Academia Brasileira de Letras, Guimarães Rosa veio a falecer em seu apartamento, no Rio de Janeiro, em 19 de novembro de 1967.

 

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